Sempre acreditei que a arte é “fominha”: ela raramente se contenta com um prato só. O melhor dos mundos acontece quando a literatura resolve se casar com a pintura ou a fotografia. É uma união tão potente que, às vezes, a gente não sabe se está lendo uma imagem ou vendo um texto.
Um exemplo doloroso (e atual) dessa simbiose são as obras surrupiadas da Biblioteca Mário de Andrade. Tomem o caso de “Menino do Engenho”: de um lado, a escrita magistral de José Lins do Rego; de outro, as ilustrações primorosas de Cândido Portinari. É um maravilhamento por dois caminhos que chegam ao mesmo coração. Há momentos, porém, em que a imagem é tão eloquente que resolve “pedir licença” à palavra e seguir sozinha, como nos livros de Matisse ou nas fotografias de Sebastião Salgado. Ali, o silêncio do papel diz tudo.
Mas, a arte não serve apenas para enfeitar estantes ou atrair ladrões de elite. Ela é uma ferramenta de escavação da alma. E quem sabia disso muito bem era Carl Jung.
Considerado um dos maiores pensadores do século XX, o fundador da psicologia analítica tinha um “segredo de Estado”. Ele pintava, esculpia e caligrafava como meio de acessar o inconsciente! Jung temia que, se seus pares cientistas soubessem que suas teorias nasceram de pincéis e cinzéis, não o levariam a sério. Essa história da origem da técnica, que atualmente chamamos de “imaginação ativa”, ficou guardado a sete chaves. Só muitos anos após sua morte é que seus herdeiros revelaram o “Livro Vermelho” (acalmem-se os exaltados: o nome é pela cor da capa, sem qualquer relação com o espectro político!).
Seguindo os passos desse meu herói, eu também tenho o meu “filho” de papel: o livro “Diversidade”. Nele, reuni artes fotográficas e pinturas que fiz para retratar a miscigenação cultural do nosso povo. E confesso uma coisa: em minhas “mil profissões”, exerci a psicoterapia por mais de 35 anos e, muito antes de mergulhar fundo na teorização de Jung, eu já usava a arte e a fotografia com meus clientes. A imagem, muitas vezes, é o único GPS capaz de localizar um sentimento perdido no labirinto do inconsciente.
Toda essa mistura — de arte, terapia e as reproduções das obras de Matisse e Portinari (sim, usaremos as ausências delas como um protesto contra a fragilidade do nosso patrimônio) — estará em exposição aqui na ReArte entre os dias 16 e 30 de janeiro.
O evento “Do Livro ao Museu em Serra Negra” é um convite para você descobrir que, na arte, a soma de várias técnicas resulta em algo muito maior que o total das partes. É uma chance de ver de perto o diálogo entre a luz de Salgado, o mistério de Jung e as cores da nossa gente.Agendem sua visita pelo WhatsApp (11 98294-6468). Afinal, as imagens estão loucas para conversar com vocês, e eu garanto que elas têm histórias que as palavras ainda não aprenderam a contar!
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.