Se você imagina a vida de um curador de museu regada a vernissages elegantes, taças de vinho e silêncios contemplativos diante de uma obra abstrata, lamento estragar a ilusão.
Na vida real, especialmente comandando o Ecossistema ReArte aqui em Serra Negra, minha mente opera mais como um computador multitarefa.
Conciliar as obrigações cinematográficas que temos com o Museu da Imagem e do Som/SP com o que os Ministérios Federais (Cultura e Direitos Humanos) demandam não é exatamente uma tarefa simples; é um exercício diário de sobrevivência psíquica. No “papel”, tudo parece uma equação burocrática impecável; na minha cabeça, porém, vira uma gincana de mágicas.
Vejam só o tamanho do enrosco para este mês de junho. Pelo viés do som, nossa parceria como Pontos MIS – Museu da Imagem e do Som nos trouxe uma oficina (minicurso gratuito!) de trilhas sonoras com o produtor Anderson Zeule. Excelente ideia, claro.
Mas, na hora de “bolar” as exibições de cinema das quartas-feiras para “preparar o ouvido” do público, caí no meu próprio paradoxo curatorial: juntei na mesma prateleira o lirismo comovente da animação nacional O Menino e o Mundo (imperdível, um dos melhores filmes que vi na vida!) com as sombras aterrorizantes do suspense psicológico de O Gabinete do Dr. Caligari.
É o tipo de combinação que faria qualquer terapeuta erguer a sobrancelha. Mas, a verdade confessável é que eu adoro esse caos. Quero ver o jovem do TikTok, que vai aprender a sonorizar seus vídeos na oficina, sentado ao lado do cinéfilo tradicional que chora ouvindo a trilha de Chega de Saudade.
E você acha que o malabarismo acabou? Que nada. Do outro lado da mesa, os Ministérios nos confiam a 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, focada em emergência climática e ancestralidade.
Para não transformar a tela do museu num tribunal climático cinzento e enfadonho, garimpei lindas e divertidas animações em stop-motion. Achei preciosidades lúdicas como Gavī: a voz do barro e Òsányìn: O segredo das folhas. São os povos nativos no s dando uma lição de futuro com a leveza de um desenho animado para todas as idades.É o tipo de cinema que me faz lembrar por que escolhi esse trabalho: a arte devolve a vida e a liberdade que a burocracia cultural do governo às vezes tenta travar.
O desafio maior acontece quando as luzes da sala de projeção se acendem e eu preciso fazer as paredes físicas do museu e da biblioteca conversarem com o que passou na tela.
Se a temática indigenista se resolve fácil com o nosso farto acervo de pinturas com personagens nativos, por outro lado, ilustrar visualmente as pautas musicais é mais desafiador.
A solução veio no susto: juntei pinturas mitológicas de sereias e seus cantos hipnóticos com as pinceladas da minha própria série, “Muros Emocionais”, inspirada na ópera-rock The Wall, do Roger Waters. E temos, também, o fantástico acervo de cartazes de cinema, graças à generosidade do querido historiador, Nestor Leme! Sim, enfiei o Pink Floyd, as sereias e o Nestor no mesmo balaio visual!Portanto, se vir um sujeito conversando com uma sereia pintada enquanto cantarola Another Brick in the Wall e come pipoca, não chame o resgate. Sou só eu, feliz da vida, tentando orquestrar mais um mês de atrações por aqui!
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.