A gente costuma achar que a força e a beleza só se manifestam em grandiosidade. Mas aqui, na Residência Artística, a vida me deu uma lição sobre a potência do que é discreto e singelo.
A história tem como protagonista um modesto e jovem ipê-amarelo, que nasceu espontaneamente junto ao nosso jardim aromático. Ele resistiu bravamente aos trabalhadores da construção da residência, em especial, a um dos engenheiros que teimava em pisar com as botas em todas as mudas de plantas que encontrava.
Eis que, recentemente, temi que ele estivesse secando. Apesar de ter passado de 2 metros de altura, continuava superfino, com uns 2 cm de diâmetro, não fazendo jus ao significado em tupi-guarani que dá origem ao seu nome: “casca grossa”!
Além de se chamar ipê, também possui um pomposo nome científico: “Handroanthus”, uma junção de “flor” (anthus) com o sobrenome do botânico brasileiro que o catalogou, Oswaldo Handro.
Por todo o Circuito das Águas, a gente vê o espetáculo dos ipês grandiosos, em um amarelo que parece fluorescente, e que este ano floresceram até um pouco mais cedo. Segundo os especialistas, sua floração acontece a partir do inverno, época das secas. Afinal, essa é uma das poucas árvores brasileiras que são decíduas, ou seja, que perdem as folhas para diminuir a necessidade de água e reservar energia para a beleza derradeira: suas flores!
As lendas também reforçam essa ideia. Reza o conto que, quando Deus estava criando o mundo, se reuniu com as árvores e lhes perguntou que época do ano elas preferiam florir. Bem, a única corajosa que “topou” fazer isso no frio e na seca foi o nosso ipê, que foi recompensado com essa maravilhosa variedade de cores brilhantes.
Há até um “causo” envolvendo Dom Pedro I: quando declarou a Independência, os ipês-amarelos se agitaram para criar um “tapete” de flores para ele e sua comitiva passarem.
Enfim, vamos voltar para a história do nosso ipê aqui na Residência Artística: nosso ipê-mirradinho, que parecia frágil, não gastou sua energia em um crescimento apressado, mas a reservou para o que realmente importava: florescer no tempo certo, como a lenda lhe ensinou.
Ele nos mostra que a beleza e a vitória nem sempre se manifestam de forma estrondosa, mas podem vir em um pequeno gesto, em um brilho discreto.
É a prova de que, mesmo quando somos pequenos ou passamos por um momento de dificuldade, temos dentro de nós a capacidade de criar algo de valor e significado, plantando a semente da esperança e da beleza para o mundo.
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.