Aqui na ReArte, o cinema tem ocupado um lugar nobre nas minhas divagações. Estamos em pleno processo de renovação do convênio com o programa Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som) e, por isso, é natural que a Sétima Arte venha operando em “primeiro plano” na minha atenção.
É fascinante observar a retomada do período de ouro do audiovisual nacional, que recuperou o fôlego desde “Ainda Estou Aqui” e agora nos entrega novas obras premiadas como “Agente Secreto” e “Sonho de Trem“.
Como artista visual, meu olhar sempre foge para a plástica da imagem. Minha torcida para o Oscar de melhor fotografia está com o brasileiro Adolpho Veloso. Quem assistir ao Sonho de Trem notará que ele, corajosamente, optou pelo formato 3:2 — uma proporção mais “quadrada”, muito próxima à fotografia clássica de 35mm.
Em um mundo dominado pelo widescreen (tela panorâmica), essa escolha estética é um resgate da intimidade; as cenas parecem fotografias de livros de arte, dessas que merecem estar em museus. O centro da imagem, onde está o protagonista, é nítido, mas o mundo ao redor parece estar se desfazendo, como uma memória antiga ou uma pintura a óleo.
E aqui cabe um parêntese divertido: descobri que o aluguel diário de uma das câmeras usadas nessas produções já supera todo o orçamento que recebemos para produzir nossos curtas-metragens sobre Serra Negra! É a velha máxima: a gente faz milagres com criatividade, enquanto o mercado opera em outra galáxia financeira.
Mas nem só de luz vive o filme; ele precisa de sombras. No caso de Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, a ironia já começa no título e se desdobra em referências sutis, ao mostrar uma televisão passando o filme “O Magnífico”, em que Jean-Paul Belmondo interpreta um escritor que imagina a si mesmo como o agente secreto “Bob Saint-Clar”, bem como a presença do livro “O Agente Secreto”, de Joseph Conrad, na casa que em que vivem, secretamente, foragidos do governo.
Mas, quem merece um prêmio como atriz especialmente convidada é a “Perna Cabeluda”! Para quem ama folclore como eu, essa figura é um prato cheio! No Recife dos anos 70, a Perna Cabeluda era mais que um susto de calçada; era uma estratégia jornalística. Em tempos de censura pesada, onde era proibido noticiar a repressão política ou a violência doméstica, os jornais colocavam a “Perna” como protagonista. Se alguém apanhava ou sumia, a culpa era desse “monstro”.
Era a forma que a imprensa encontrava para driblar os censores, transformando o pavor real do Estado em um delírio coletivo folclórico. Assim como ninguém sabia de onde a Perna vinha, ninguém sabia quem era o informante do DOPS ou quem estava sendo vigiado. A Perna Cabeluda é o “agente secreto” do folclore: ela ataca do nada e desaparece.O cinema nacional está provando que, para contar a nossa verdade, às vezes precisamos projetar nossos monstros na tela. E nós, aqui na ReArte, seguimos firmes para garantir que essas imagens cheguem até você!
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.