Imaginem a cena: missas solenes ecoando em latim…O povo absorvia a fé mais pela atmosfera, pelos gestos eloquentes do padre e, claro, pelas belíssimas pinturas que adornavam as igrejas. Ali, a arte sacra era a grande contadora de histórias, acessível a todos os olhares, independentemente da alfabetização.
Avançamos séculos e democratizou-se o acesso à informação (ufa!). Mas, eis que surge uma nova ironia: se a capacidade de ler e escrever alcançou a maioria, a habilidade de interpretar o que se lê… bem, essa já é outra história.
É nesse ponto que as outras formas de arte continuam a brilhar. O teatro de rua, como vimos na emocionante encenação da Paixão de Cristo, aqui em Serra Negra, arrebatou a multidão. Ali, a história ganha carne e osso, emoção palpável, uma conexão direta com o público que transcende a mera compreensão intelectual: aquilo é aprendizado visceral, gravado na memória da alma de forma muito profunda.
Igual efeito causam as obras de nosso saudoso Cid Serra Negra, cujas pinturas nas igrejas de São Benedito e São Francisco narram, passo a passo, a saga de Jesus.
Preciso lhes contar com um certo orgulho: a vida e a genialidade de Cid Serra Negra está nos cinemas! Nosso curta-metragem, lançado no ano passado, já está trilhando um caminho glorioso, concorrendo em nada menos que Cannes e outros quinze festivais de cinema mundo afora! Uma produção audiovisual que leva a força de sua arte para além das paredes das nossas igrejas, para os olhos e corações de plateias diversas, mostrando ao mundo a riqueza cultural da nossa Serra Negra.
E, nos próximos meses, lançaremos em livro, com o mesmo título do filme: “Cid Serra Negra – 100 Anos Do Artista Que Levou O Saci Para O Cinema”.
E aqui reside a questão: diante de duas formas de perpetuar a história e a obra de um artista tão singular como Cid – um livro, com a riqueza dos detalhes, a profundidade da pesquisa e a beleza da escrita, e um curta-metragem, com o impacto visual imediato, a força da imagem em movimento e a trilha sonora que embala as emoções – qual terá o maior alcance de corações?
A escrita, sem dúvida, oferece uma imersão intelectual, um mergulho nas nuances da biografia, nas influências artísticas e na genialidade da produção. Permite ao leitor construir suas próprias imagens, refletir no seu tempo, voltar às páginas para absorver cada detalhe.
Mas, o cinema, ah, o cinema! Ele nos arrebata de imediato, nos transporta para a época da criação, nos apresenta o artista em sua humanidade, a emoção de sua criação de forma crua e direta. As músicas embalam a narrativa, os closes revelam detalhes que, por vezes, escapam à leitura apressada, e a edição cadencia o ritmo da história para intensificar as emoções.
O livro tocará as mentes curiosas, os estudiosos da arte, aqueles que apreciam a profundidade da biografia e a análise crítica. Mas o curta-metragem, com sua linguagem universal, que transcende barreiras culturais e linguísticas, e seu impacto sensorial imediato, tem o potencial de alcançar um público muito mais vasto, de despertar a admiração e a emoção em corações que talvez nunca se aproximariam de um livro sobre arte.
Não há uma resposta definitiva, é claro. Ambas as formas são valiosas e complementares, cada uma com seu público e seu impacto.
Que a vida e a obra de Cid Serra Negra, seja pelas páginas do livro que em breve encantará nossos leitores, ou pelas lentes do curta-metragem (disponível na Residência Artística, também para as escolas e de livre acesso na internet), que já brilha nos festivais internacionais, continuem a emocionar e a inspirar por muitas e muitas gerações!
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.