Dizem que o cérebro de autistas superdotados opera em frequências de rádio que a maioria ainda não sintonizou. Fazemos conexões inusitadas, pontes invisíveis entre temas que, ao olhar comum, parecem habitar galáxias distantes. Neste exato momento, por exemplo, meus pensamentos não caminham; eles voam montados em aves de papel e nadam entre divindades marinhas, tudo isso enquanto dão gargalhadas.
Vou tentar explicar — ou, ao menos, oferecer um mapa desse meu caos geográfico-mental.
A nossa ReArte (que, como vocês sabem, é Museu, Ponto de Cultura, Biblioteca, Residência Artística e uma infinidade de “etcéteras” culturais) está prestes a sediar um intercâmbio técnico fascinante. Trata-se da Residência Maid Cafe, um laboratório de performance a portas fechadas onde o Clube de Cultura Pop de Serra Negra e artistas da capital ensaiam a união improvável entre o rigor do teatro vitoriano e a estética vibrante dos animes japoneses. Para quem não está habituado ao termo, o Maid Cafe é uma expressão cultural nipônica onde a hospitalidade é elevada ao nível de encenação teatral.
Inspirado por esse sopro oriental, decidi tirar das reservas do Museu as minhas pinturas que já peregrinaram pelo Japão e pela colônia imigrante em São Paulo. São telas povoadas por mil Tsurus — aquela garça em origami (dobraduras de papel) que, diz a lenda, concede desejos a quem dobrar mil unidades. Mas, como ainda ecoam as celebrações do Dia Mundial da Água, a correnteza me levou além: ao lado da Sereia Japonesa, alinhei suas “primas” mitológicas gregas, africanas, irlandesas e a nossa exuberante Iara indígena.
Como abril é o mês dos festivais de Sakura (a cerejeira em flor), a ReArte florescerá em tintas rosadas. Mas — e aqui a curva do pensamento se acentua — abril também é o mês em que nosso convênio como Ponto MIS (Museu da Imagem e do Som de SP) nos convoca para o reino da comédia. Toda quarta-feira teremos clássicos do cinema mundial para celebrar o Dia Nacional do Humor. O resultado? Minha pintura da Monalisa ganhou versões astecas, egípcias e afro, todas ostentando sorrisos enigmáticos para harmonizar com a oficina “Muito Além da Risada”, que realizaremos dia 19 com o brilhante professor e crítico de cinema, Cássio Starling.
Para amarrar esse pacote de “assuntos aleatórios”, como costumo brincar, temos o Slow Art Day (Dia de Apreciar Arte Sem Pressa) em 11 de abril. Sou o representante brasileiro desse movimento global que convida o público a fazer o oposto do mundo digital: parar, respirar e olhar uma obra por alguns minutos e trocar ideias com os artistas. Farei o papel de um “Nestor Leme” nas artes, contando os “causos” de bastidores dessas criações enquanto o público degusta cada pincelada.
No fim das contas, me vejo assim: planando sobre flores de cerejeira montado em um tsuru gigante, enquanto cavalgo sereias e dou risada com as comédias clássicas do cinema. Como batizar esse turbilhão de forma compreensível, técnica e poética? Minha aposta atual é: “Flores, Asas e Sorrisos: O Voo dos Tsurus, a Magia das Sereias e as Risadas da Sétima Arte”.
Ufa! Caros leitores, este é um vislumbre da (des)funcionalidade da mente de um “Au/Ar-tista”. E olhem que, na crônica passada, eu prometi que ia descansar a cabeça no domingo de aniversário da sede… Pois é, promessa de artista é como dobra de origami: a gente sempre acaba inventando uma nova forma logo em seguida!
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.