PLANO MUSEOLÓGICO
Museu da ReArte – Residência Artística do Circuito das Águas
Henrique Vieira Filho
1. Apresentação e Diagnóstico
A ReArte é uma Residência Artística situada em Serra Negra/SP, que se propõe a constituir um Museu-Território do Circuito das Águas Paulista, o Museu da ReArte – Residência Artística do Circuito das Águas.
O conceito adotado é o da Museologia Social, em que o território, a comunidade e a memória são tão relevantes quanto o acervo físico.
O museu terá como eixo a arte contemporânea emprestada por artistas residentes, fotografias históricas das famílias da região, majoritariamente ligadas à imigração europeia e à cultura do café.
Diagnóstico SWOT:
• Forças: experiência prévia da ReArte em projetos culturais, rede de artistas residentes e apoio comunitário.
• Fraquezas: ausência de espaço expositivo permanente robusto, dependência de recursos públicos.
• Oportunidades: editais de fomento (PROAC, LPG, Aldir Blanc), turismo cultural no Circuito das Águas.
• Ameaças: instabilidade de financiamento, baixa cultura de doação privada, riscos ambientais e de conservação.
2. Missão, Visão e Valores
Missão: Promover o acesso democrático às artes visuais e à memória cultural regional, integrando arte contemporânea, história local e inclusão social.
Visão: Ser referência em Museologia Social no Brasil, utilizando o conceito de Museu-Território e inovando no uso de tecnologias digitais para difusão e acessibilidade.
Valores:
• Acessibilidade e inclusão
• Participação comunitária
• Sustentabilidade
• Diversidade cultural
• Inovação tecnológica
3. Objetivos Estratégicos
• Estabelecer um espaço de preservação da memória local aliado à arte contemporânea.
• Garantir acessibilidade plena com uso de audiodescrição e tecnologias assistivas.
• Documentar e disponibilizar digitalmente o acervo por meio da plataforma Tainacan.
• Ampliar a participação comunitária através de oficinas, residências e ações educativas.
• Tornar-se autossustentável financeiramente em médio prazo por meio de editais e parcerias.
4. Programas Museológicos
4.1 Programa Institucional
Definição de governança participativa, com conselho consultivo formado por artistas, comunidade e parceiros. Elaboração de regimento interno e regulamento para empréstimo e doação de obras.
4.2 Programa de Gestão de Pessoas
Valorização do trabalho voluntário e parcerias com universidades. Capacitação contínua da equipe e integração com programas de residência artística.
4.3 Programa de Gestão e Documentação de Acervo
Criação de inventário digital em Tainacan. Procedimentos de registro fotográfico, catalogação e conservação preventiva. O acervo será formado por empréstimos, doações e produções contemporâneas em diálogo com o patrimônio local.
4.4 Programa de Pesquisa
Foco em memória oral, história da imigração e cultura cafeeira, além de investigações sobre arte contemporânea e uso de inteligência artificial em processos criativos.
4.5 Programa de Exposição e Comunicação
Montagem de exposições permanentes e temporárias. Intervenções urbanas no território. Divulgação digital ativa com site, redes sociais e produção multimídia com acessibilidade.
4.6 Programa de Educação e Ação Cultural
Oficinas de arte e tecnologia, workshops de audiodescrição, projetos com escolas e mediação cultural voltada à comunidade local e turistas.
4.7 Programa de Sustentabilidade Financeira
Captação por meio de editais (Aldir Bçlanc, PROAC, LPG, Rouanet), parcerias institucionais, campanhas de crowdfunding e produção de conteúdos digitais financiáveis.
4.8 Programa de Segurança e Conservação
Definição de protocolos básicos de conservação preventiva. Monitoramento ambiental. Registro de incidentes e planos de emergência.
4.9 Programa de Acessibilidade
Audiodescrição de obras, produção de materiais digitais acessíveis, visitas guiadas inclusivas e adaptação do ambiente físico conforme a NBR 9050.
5. Plano de Implantação e Cronograma
Etapa 1 – Mobilização e Planejamento: jul/2025 – ago/2025
Etapa 2 – Estruturação Física e Digital: set/2025 – out/2025
Etapa 3 – Execução de Atividades e Oficinas: mai/2025 – out/2025 (atividades já iniciadas como contrapartida da Lei Aldir Blanc)
Etapa 4 – Relatório e Avaliação: out/2025
Etapa 5 – Finalização e Entrega Acadêmica: nov/2025
6. Indicadores e Avaliação
• Número de visitantes presenciais e online
• Quantidade de oficinas e cursos realizados
• Participação da comunidade local
• Obras catalogadas digitalmente
• Engajamento em redes sociais
• Recursos captados em editais e parcerias
7. Referências
BRASIL. Lei nº 11.904/2009 – Estatuto de Museus.
ICOM. Definição de Museu, 2007.
DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. Conceitos-chave de Museologia. ICOM, 2013.
PEREIRA, M. Museologia Social e Práticas Decoloniais. 2008.
SANTOS, M. O Espaço do Cidadão. 1999.
Henrique Vieira Filho é artista visual, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “Sociedade Das Artes” (SNIIC: SP-21915), diretor de arte, produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTB 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP) e terapeuta holístico (CRT 21001).