{"id":2896,"date":"2022-04-19T10:54:31","date_gmt":"2022-04-19T13:54:31","guid":{"rendered":"https:\/\/henriquevieirafilho.com.br\/?p=2896"},"modified":"2022-06-22T08:13:44","modified_gmt":"2022-06-22T11:13:44","slug":"todo-dia-era-dia-de-indio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/todo-dia-era-dia-de-indio\/","title":{"rendered":"Todo Dia Era Dia De \u00cdndio"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-dia-do-indio\">Dia Do \u00cdndio<\/h2>\n\n\n\n<p>Neste artigo, o artista e psicanalista <strong>Henrique Vieira Filho<\/strong> celebra a presen\u00e7a da cultura ind\u00edgena em nosso dia-a-dia, bem como na literatura e mitologia, destacando duas hero\u00ednas nativas que nomeiam fontes da regi\u00e3o do Circuito das \u00c1guas Paulista: Lind\u00f3ia e Obirici.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado resumido no <strong>Jornal O Serrano<\/strong>, N\u00ba 6300, de 15\/04\/2022 <\/p>\n\n\n\n<p><strong>DOI: <\/strong><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.6470571\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.6470571<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Fotografia do mosaico da Fonte da \u00cdndia, em Monte Alegre do Sul, com Henrique Vieira Filho e Fabiana Vieira\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/WvOYJGhf3hv9i9VCikrEqU3G94iUWF-qZy2Jj4rCf01vt62mdHLqbyddeY0_sYmYcodvbB0KBXyk1jIbUScenpSmWV7VA6u5EBj5pnup9nBvS_NNzK_zDo6PvF4F9jPwyZlwZ_Yh\" width=\"350\" height=\"453\"><br><strong><em>Fotografia do mosaico da Fonte da \u00cdndia, em Monte Alegre do Sul, com Henrique Vieira Filho e Fabiana Vieira<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um bom banho, deitei na minha rede e, entre um gole e outro de guaran\u00e1 e punhados de pipoca, fiquei pensando em como homenagear a cultura ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da evidente presen\u00e7a em nosso dia-a-dia, nos h\u00e1bitos alimentares, na higiene e at\u00e9 terap\u00eauticos, quero aqui focar na influ\u00eancia sobre as artes.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, por exemplo, estudei e adotei grafismos ind\u00edgenas nas pinturas corporais que aplico e fiz releituras de cl\u00e1ssicos, como a \u201cMona Lisa\u201d e \u201cO Nascimento de V\u00eanus&#8221;, diversificando as personagens femininas para vers\u00f5es tupis.<\/p>\n\n\n\n<p>Na literatura brasileira, ent\u00e3o, constatamos um verdadeiro culto \u00e0s nossas hero\u00ednas nativas: Aur\u00e9lia, Iracema, Cec\u00edlia, Capitu, Moema e muitas outras que se somam ao pante\u00e3o dram\u00e1tico indigenista, das quais destacarei duas bastante conhecidas aqui no Circuito das \u00c1guas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos saciam a sede com produtos que levam o nome da personagem \u00e9pica <strong>Lind\u00f3ia<\/strong> (de \u201cO Uraguai\u201d, obra de Bas\u00edlio da Gama), que preferiu a morte \u00e0 nega\u00e7\u00e3o do amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros tantos de n\u00f3s, bebemos das l\u00e1grimas da<strong> \u00cdndia Obirici<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sua lenda nos conta que disputou com sua irm\u00e3 Para\u00ed o amor do cacique Abaet\u00ea, que foi orientado por Tup\u00e3 e Sum\u00e1 a propor um torneio de arco e flecha para resolver a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Obirici perdeu, caindo na mais profunda tristeza. As Paraj\u00e1s, deusas da piedade, tentaram consolar. A divina Par\u00e9, deusa da f\u00e9, n\u00e3o conseguiu lhe dar esperan\u00e7a. Tolori, deus da coragem, tamb\u00e9m tentou lhe animar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dia e noite, as l\u00e1grimas da formosa ind\u00edgena ca\u00edram, formando o c\u00f3rrego Ibicuiret\u00e3, sobre o qual estendia seus bra\u00e7os para o c\u00e9u, at\u00e9 que Tup\u00e3 atendeu suas preces, pondo um fim ao seu sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O rio de choro fica no Sul do Brasil, mas, perto de n\u00f3s, temos a <strong>Fonte da \u00cdndia Obirici,<\/strong> que, mesmo triste, ainda nos concede atender um desejo, desde que consigamos encontrar os sete p\u00e1ssaros escondidos em seu mosaico.<\/p>\n\n\n\n<p>Bom, eu os encontrei e provo com a foto que ilustra este artigo! E o que desejei \u00e9 que todos n\u00f3s reflitamos sobre o que j\u00e1 nos alertava a cantora Baby Do Brasil: \u201ctodo dia, era dia de \u00edndio\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ilustra\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Fotografia do mosaico da Fonte da \u00cdndia, em Monte Alegre do Sul e a localiza\u00e7\u00e3o dos sete p\u00e1ssaros escondidos - Henrique Vieira Filho\n\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/iQqfiZ-dAXol4BaP6WHxi7lWHDp1hNibe0m6OiW5wdP_Qzh3n3iMgiLkoWlCqsORhOR-GZoCEnm-ZXCVXytSsLSO_s2jfG7VTxST_6oUzYx73EP8uSAL6fCWVFLIlSasWTDsEvPh\" width=\"350\" height=\"177\"><br><strong><em>Fotografia do mosaico da Fonte da \u00cdndia, em Monte Alegre do Sul e a localiza\u00e7\u00e3o dos sete p\u00e1ssaros escondidos<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Title: Kayap\u00f3 Cosmology\nArtist: Henrique Vieira Filho\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/dmaTYbL3IRabDgXaeG4rN38NqvbVE5loAqi4rauvyAB0jqaSDYYWG-Pl9bNoZedHpbIp8-y3OmPaxTroRwZgFdvrrb0C2L3IYcQwIfES770unR5uDFtQbpSq6nJVa-9XrsROcR_A\" width=\"350\" height=\"505\"><br>Title: Kayap\u00f3 Cosmology<br>Artist: Henrique Vieira Filho<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros&nbsp; Meb\u00eangokr\u00eas (Kayap\u00f3s) desceram dos c\u00e9us para a terra e aqui habitaram. Nesta tela, a filha da chuva, Nhokp\u00f4kt\u00ed, trazendo frutas e legumes das aldeias celestes para ensinar as tribos a plantar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Title: Caipora - Goddess Of The Forests\nArtist: Henrique Vieira Filho\nSeu nome tem origem na l\u00edngua tupi: \u201ckaa-p\u00f3ra\u201d (habitante das matas), um ente fant\u00e1stico que protege a natureza, em especial, os animais, \u00e0 semelhan\u00e7a das deusas c\u00e9ltica Arduinna e n\u00f3rdica Freya (todas igualmente acompanhadas por um porco selvagem) e das grego-romanas Artemis\/Diana.\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/OA_cfFqO1wcJeTzcOTZX868kvsv7r-m_O-10gIiJXwNeym88-oJoBhTa9lyNWyw3D-2S-eCeKv5En5Y673y_ndBMCMvzJI71CNdlEIJpio4q8OPNOIIt9iFK68dtrpogodbEq8a-\" width=\"525\" height=\"350\"><br>Title: Caipora &#8211; Goddess Of The Forests<br>Artist: Henrique Vieira Filho<\/p>\n\n\n\n<p>Seu nome tem origem na l\u00edngua tupi: \u201ckaa-p\u00f3ra\u201d (habitante das matas), um ente fant\u00e1stico que protege a natureza, em especial, os animais, \u00e0 semelhan\u00e7a das deusas c\u00e9ltica Arduinna e n\u00f3rdica Freya (todas igualmente acompanhadas por um porco selvagem) e das grego-romanas Artemis\/Diana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Yara, Uiara (do tupi y-\u00eeara, &quot;senhora das \u00e1guas&quot;). Guerreira das tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas (Tupi-Guarani), renasce como esp\u00edrito nas \u00e1guas doces, que se tornam seu dom\u00ednio. A miscigena\u00e7\u00e3o com a cultura europ\u00e9ia lhe antropomorfiza como Sereia.\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/mAVSkGBPck-fLKyuF66bxOnkokN9CIvfwKpUW7d1SnzMv560GZdYZo6BTPDL_7yyWtjsIVvvJib4Smd-QyGw0KT0qslOBD4XxTS8Fy1L4idCAIM7-NnUSGP6F20IQiYX56K0JoWo\" width=\"500\" height=\"333\"><br>Title: Yara &#8211; Mother Of The Waters<br>Artist: Henrique Vieira Filho<\/p>\n\n\n\n<p>Yara, Uiara (do tupi y-\u00eeara, &#8220;senhora das \u00e1guas&#8221;). Guerreira das tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas (Tupi-Guarani), renasce como esp\u00edrito nas \u00e1guas doces, que se tornam seu dom\u00ednio. A miscigena\u00e7\u00e3o com a cultura europ\u00e9ia lhe antropomorfiza como Sereia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Uma V\u00eanus Ind\u00edgena, com grafismos das tribos marajoaras, sendo a representa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria M\u00e3e Natureza.\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/ocrM4Ou5lHlQDDEsHub5EAW6DZnfGA4P1ECjysdaILObLq1EWjHesEujXgqM9bhm-ChOUSKLSkLOC9T5hRyOeaxzrl7ebrlpvtRBbwcf-NpQVkchZq1MK274LP-zg-riKEK6K9Qf\" width=\"350\" height=\"465\"><br>Title: Aphrodite Indigenous<br>Artist: Henrique Vieira Filho<\/p>\n\n\n\n<p>Uma V\u00eanus Ind\u00edgena, com grafismos das tribos marajoaras, sendo a representa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria M\u00e3e Natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Da Mitologia Tupi-Guarani, Boiarara \u00e9 a poderosa cobra alada, do elemento fogo, equivalente brasileiro aos drag\u00f5es e a Quetzalc\u00f3atl, dos Astecas.\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/FeNpsvp3XYwh4ItgrIx8va9cf9UzVyS2QJxGN8_-BZP9O6EhYjpicXWYNduIXi7-CE1WYP5n4iYoAOCbN8jA00dbS694otrMO2clYwxSvvCJv5abQs6WDqkO63vukihNY7IhJxdi\" width=\"350\" height=\"525\"><br>Title: Brazilian Dragon<br>Artist: Henrique Vieira Filho<\/p>\n\n\n\n<p>Da Mitologia Tupi-Guarani, Boiarara \u00e9 a poderosa cobra alada, do elemento fogo, equivalente brasileiro aos drag\u00f5es e a Quetzalc\u00f3atl, dos Astecas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste artigo, o artista e psicanalista Henrique Vieira Filho celebra a presen\u00e7a da cultura ind\u00edgena em nosso dia-a-dia, bem como na literatura e mitologia, destacando duas hero\u00ednas nativas que nomeiam fontes da regi\u00e3o do Circuito das \u00c1guas Paulista: Lind\u00f3ia e Obirici.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2896,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_sitemap_exclude":false,"_sitemap_priority":"","_sitemap_frequency":"","_daextrevo_audio_file_creation_date":"","_daextrevo_text_to_speech":"","_daextrevo_document_type":"","footnotes":""},"categories":[28,11,13,7,4],"tags":[50,5,89,42,9,90],"tnc_tax_6799":[],"tnc_tax_6188":[],"class_list":["post-2896","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artes-visuais","category-artigos","category-artigos-de-fabiana-vieira","category-artigos-henrique-vieira-filho","category-jornal-o-serrano","tag-artbrasil","tag-arte","tag-dia-do-indio","tag-fotografia","tag-henrique-vieira-filho","tag-indio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2896","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2896"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2896\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2914,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2896\/revisions\/2914"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2896"},{"taxonomy":"tnc_tax_6799","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_tax_6799?post=2896"},{"taxonomy":"tnc_tax_6188","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_tax_6188?post=2896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}