{"id":3108,"date":"2023-01-12T08:42:06","date_gmt":"2023-01-12T11:42:06","guid":{"rendered":"https:\/\/artivismo.com.br\/?p=2591"},"modified":"2023-01-12T08:42:06","modified_gmt":"2023-01-12T11:42:06","slug":"a-arte-de-falsificar-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/a-arte-de-falsificar-arte\/","title":{"rendered":"A Arte De Falsificar Arte"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resguardando direitos autorais, de propriedade e de valor m\u00e1ximo de revenda por meio de Certificados de Autenticidade<\/strong><\/p>\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"S\u00e3o Francisco de Portinari (acervo do MASP) e de Cid Serra Negra (acervo da Sociedade Das Artes)\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/2rsuDJ9n98u6RUx2Erou_1OkRfcEwydz9bTrgLu95kLMkpcFX4eUfB-tKAH0v1bMOoOBBBQCOQDl9aPejXC7hN-3konR9y1jCZHhmQSkVmMYHJLwDlAhrGdyqWkPQdNx58W7n_XWc_3thynqt66vIbsjZcp4_t5sXeh8e_FN-JIXxDOE9qEzI-6fVRVYeZqu\" width=\"530\" height=\"340\"><br \/><em>S\u00e3o Francisco: um de Portinari e outro, de Cid Serra Negra: qual destes artistas sofre mais falsifica\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Cite as<br \/><strong>HENRIQUE VIEIRA FILHO. (2023). A Arte De Falsificar Arte. Revista Artivismo, 3(3). <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.7528916\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.7528916<\/a><\/strong><\/h4>\n\n\n<p><strong>Resumo:<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Os artistas com obras de valores intermedi\u00e1rios s\u00e3o t\u00e3o ou mais v\u00edtimas de falsifica\u00e7\u00f5es quanto os de renome mundial. Neste artigo,<strong> Henrique Vieira Filho<\/strong> toma como exemplo as obras de <strong>Cid Serra Negra<\/strong> e como os modernos e acess\u00edveis recursos de <strong>Certificados de Autenticidade e Pericial <\/strong>resguardam direitos&nbsp; autorais e de propriedade resgatam o leg\u00edtimo valor de mercado.<\/p>\n\n\n<p>Desde s\u00e9rias reportagens investigativas, at\u00e9 o divertido document\u00e1rio \u201c<strong>Fake Art \u2013 Uma Hist\u00f3ria Real<\/strong>\u201d (Netflix), sempre que o tema \u00e9 falsifica\u00e7\u00e3o de arte, as cifras citadas s\u00e3o de milh\u00f5es de d\u00f3lares pagos em obras que se revelaram fraudes sobre os trabalhos de Pollock, Rothko, Picasso, Vermeer, Rembrandt, Da Vinci, Di Cavalcanti, Portinari, Tarsila do Amaral, Guignard, Ant\u00f4nio Poteiro, Siron Franco, dentre muitos outros artistas cobi\u00e7ados.<\/p>\n\n\n<p>Quanto mais valorizado for o artista, maior a eventual margem de lucro para os fraudadores e, da mesma forma, ainda maior \u00e9 o risco de ser descoberto.<\/p>\n\n\n<p>Mas, e se o fals\u00e1rio for menos ganancioso e preferir \u201ctrabalhar\u201d em um nicho onde as chances de ser investigado s\u00e3o m\u00ednimas?&nbsp;<\/p>\n\n\n<p>Basta escolher fraudar artistas cujas obras est\u00e3o com valores de mercado em um teto de US$ 2.000. Afinal, verificar a autenticidade custaria mais caro que a pr\u00f3pria pintura e n\u00e3o compensaria aos vendedores\/compradores investir em uma per\u00edcia t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n<p>Melhor ainda se o alvo n\u00e3o possuir <strong>\u201cCat\u00e1logo Raisonn\u00e9&#8221;<\/strong> (documenta\u00e7\u00e3o detalhada de cada obra produzida), nem <strong>Certificados de Autenticidade ou de Propriedade<\/strong>, situa\u00e7\u00e3o esta que \u00e9 t\u00edpica para a maioria dos artistas. Por sinal, quanto mais contempor\u00e2neo, mais simples ser\u00e1 para encontrar as mesmas tintas e materiais usados nos originais, diferente do que acontece com as artes de s\u00e9culos anteriores, cujos pigmentos n\u00e3o s\u00e3o mais encontrados no mercado.<\/p>\n\n\n<p>Se j\u00e1 estiver prescrito os direitos autorais (mais de 70 anos ap\u00f3s a morte do artista ou, antes, caso n\u00e3o tenha herdeiros), tanto melhor.<\/p>\n\n\n<p>E este \u00e9 o caso do pintor que abordarei a seguir, sobre o qual me tornei um \u201cconnoisseur\u201d (profissional conhecedor das obras, estilo e assinatura do artista), tanto por ter contato com suas artes desde a inf\u00e2ncia, como tamb\u00e9m por ser artista pl\u00e1stico, galerista e p\u00f3s-graduado em per\u00edcia t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n<p>Em recente busca por adquirir um de seus trabalhos, deparei-me com uma \u201cpechincha\u201d (via de regra, \u00e9 bom suspeitar quando os valores s\u00e3o abaixo do mercado) sendo comercializada em um popular intermedi\u00e1rio de compra e vendas pela internet. Mediante an\u00e1lise das fotos e a certeza de poder receber o dinheiro de volta (a plataforma ret\u00e9m at\u00e9 a confirmar a satisfa\u00e7\u00e3o), optei em correr o risco calculado e, de fato, era um original.&nbsp;<\/p>\n\n\n<p>Contudo, a maior parte das \u201cofertas\u201d que encontrei eu j\u00e1 descartei \u00e0 primeira vista: assinaturas divergentes, pinceladas n\u00e3o condizentes com seu estilo, tem\u00e1tica e materiais n\u00e3o habituais a este artista. E isto, inclusive, em galerias muito bem conceituadas!&nbsp;<\/p>\n\n\n<p>Ou seja, <strong>Cid Serra Negra<\/strong> anda sendo falsificado tanto ou mais do que um <strong>Di Cavalcanti<\/strong>! \u00c9 o alvo ideal: obras comercializadas em um valor mediano (que n\u00e3o compensaria financiar uma per\u00edcia para autentica\u00e7\u00e3o), n\u00e3o catalogadas, autor j\u00e1 falecido e sem herdeiros!<\/p>\n\n\n<p>Conforme documento de \u00f3bito, <strong>Cid de Abreu<\/strong> (que tamb\u00e9m assina como Cid, Cid Abreu, Cid S.Negra e<strong> Cid Serra Negra<\/strong>), filho de Izaura de Abreu, nasceu (27\/01\/1924)&nbsp; e faleceu (02\/08\/1993) em Serra Negra \/ SP \/ Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n<p>O Projeto De Lei Municipal N\u00ba 89, de 2020, que objetiva dar o nome do artista ao espelho de \u00e1gua de uma das principais pra\u00e7as do munic\u00edpio, em sua justificativa, acrescenta mais detalhes de sua proced\u00eancia, sem citar a fonte dos dados extras:&nbsp;<\/p>\n\n\n<p>\u201cFilho de Sebasti\u00e3o Pires da Cruz e de Izaura Julieta de Abreu, que casaram em 19 de abril de 1913. Cid n\u00e3o chegou a conhecer o pai, que os deixou quando ele ainda estava no ventre de sua m\u00e3e. Eram seus av\u00f3s paternos: Jo\u00e3o Pires da Cruz e Gertrudes Maria das Dores e av\u00f3s maternos, Jos\u00e9 Elias de Abreu e Anna Carolina de Abreu\u201d.<\/p>\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 registro conhecido de herdeiros, implicando no dom\u00ednio p\u00fablico de sua obra:<br \/><br \/><strong><em>Lei de Direitos Autorais &#8211; | Lei n\u00ba 9.610, de 19 de fevereiro de 1998<\/em><\/strong><br \/><em>Art. 45. Al\u00e9m das obras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais decorreu o prazo de prote\u00e7\u00e3o aos direitos patrimoniais, pertencem ao dom\u00ednio p\u00fablico: <\/em><em><br \/><\/em><em> <\/em><em>I &#8211; as de autores falecidos que n\u00e3o tenham deixado sucessores;<\/em><\/p>\n\n\n<p>Suas obras s\u00e3o muito procuradas e presen\u00e7as constantes em leil\u00f5es, sendo que seu estilo primitivista, \u201cnaif\u201d, agrada tanto aos colecionadores brasileiros, quanto aos do exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n<p>Alcan\u00e7ou a fama e consagra\u00e7\u00e3o ao cair nas gra\u00e7as de jornalistas e \u201csocialites\u201d, em especial, <strong>Helena Silveira<\/strong> e <strong>Lygia de Freitas Valle<\/strong>.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Lygia de Freitas Valle - socialite, escritora, cantora\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/KRstduZBjDPaoPaGZVz6uejiFN71kHPLRTcnrqZ1EbyIsjUWWKEwTleopqIX4BqERUe2Wd5Wn3uLjcVfXy6cP7U-L-68_hIrxDQ4gkevTqjgEz4n-MsLA-yvrq2Dqa3uJYi8GWFqXqoGHhBE0q3VeByXlGZU720h_g_y8kZtrNAaWBYBJWcuNVQinKeXQGzh\" width=\"286\" height=\"288\"><strong>Lygia de Freitas Valle<\/strong> &#8211; socialite brasileira, filha de embaixadores, cantora do per\u00edodo da bossa-nova e grande admiradora de Cid Serra Negra. Casada com o medalhista ol\u00edmpico, empres\u00e1rio e pol\u00edtico, Willy Otto Jordan, a tumultuada vida social do casal foi alvo de diversas reportagens no per\u00edodo da ditadura,<\/td><td><strong>\u201c<\/strong><strong><em>Cid pinta como um poeta.&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>Seu estilo, oriundo de pinceladas \u00e1geis e policrom\u00e1ticas, causa impacto e admira\u00e7\u00e3o, por realizar o quase milagre, sendo obra de alta categoria, de permanecer um aut\u00eantico ing\u00eanuo<\/em><\/strong><strong>\u201d<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Helena Silveira - Escritora e jornalista\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/EhkkOIL-u2oPhlMVU7cbmo4oswz05CAMU-mDBQ4kqZ700sSA_EPTeRMuaUCU3zeltBkb2wxybzFuVe8fnTWx1I4aLW59hkKyK5osYaSxep0yaveXAoavzwxk22U34xckHv1ALyy44nMaSPCcdkQ7vd1Ri4zGP15Q1KF1dXu-SO8yzNFvs3TyghQNgOulsfPY\" width=\"286\" height=\"191\"><strong>Helena Silveira<\/strong> &#8211; Escritora e jornalista, querida e respeitada pela elite intelectual e artistas, era irm\u00e3 de Dinah Silveira de Queiroz e prima de Rachel de Queiroz, as duas primeiras mulheres a serem aceitas na Academia Brasileira de Letras.De 1974 a 1976, assinou, al\u00e9m de \u201cHelena Silveira V\u00ea TV\u201d, a coluna \u201cVideon\u00e1rio\u201d, ambas para o jornal \u201cFolha de S\u00e3o Paulo\u201d.<\/td><td><strong><em>\u201cSuas telas s\u00e3o geralmente vivas e transmitem sempre uma mensagem de candura e otimismo voltada para a for\u00e7a da f\u00e9 e do m\u00edstico.&nbsp;<\/em><\/strong><br \/><strong><em>Cid \u00e9, antes de tudo, folcl\u00f3rico.&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>Um homem pitoresco em imagina\u00e7\u00e3o e for\u00e7a criativa.&nbsp;<\/em><\/strong><br \/><strong><em>Inteligente e cuidadoso, pinta pelo seu instinto art\u00edstico, baseado no diminuto conhecimento que o cobriu pelas leituras (em franc\u00eas) dos grandes mestres da pintura\u201d<\/em><\/strong><br \/>\u201d<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n<p><strong>Cid Serra Negra<\/strong> foi pauta constante de reportagens e programas televisivos de enorme audi\u00eancia, tais como os comandados por <strong>Hebe Camargo<\/strong> e <strong>X\u00eania Bier<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"X\u00eania Bier - apresentadora de programas televisivos e jornalista\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/gu5eiqcE4aldtXNhGYV79DV027Q7GKKDov8GZf0LbuKXPXrArdPJMJ9XZtHWnRYlZvJDuz59Hpwx-2WD1K9LYw-QamjeMlDcCdb2tVBf6HlVOx-E-r0FucjFr3WNWkjA2GQL7c12e_0chWJdzAmsabIqzAr5evD_MbN6bL-DV5CvBL0aMKdK5HtWJq2FBMqQ\" width=\"232\" height=\"145\"><strong>X\u00eania Bier<\/strong> &#8211; jornalista e atriz,&nbsp; nos anos 80 conquistou popularidade apresentar programas femininos: \u201cTV Mulher&#8221;, entre 1981 e 1984, na TV Globo, o \u201cMulher 88\u201d, na antiga TV Manchete, \u201cX\u00eania e Voc\u00ea\u201d, na TV Bandeirantes, al\u00e9m do programa &#8220;Mulheres&#8221;, da TV Gazeta, ao lado de Ione Borges.<\/td><td><img decoding=\"async\" alt=\"Hebe Camargo\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/S0X3V0l2iBiR1WvLxSwUYUIyt9OSazUPwjBw8ejsk9mzimUU8EFVEgkkCQwobM-OKN-xqVs1l3pdEV3TlUuUD4M7LdAN0BY0Nkozw9KoraP16pT87TSE7oH-DxwwsATtcqH3nLkz8DVqQVX7O7SmI0yfglly61BEMoPgffJVep4ELtbOU3YY9b_om_LA4AbS\" width=\"293.3125\" height=\"146\"><strong>Hebe Camargo<\/strong> &#8211; apresentadora, cantora, radialista, humorista e atriz, considerada como a Rainha da Televis\u00e3o Brasileira, ve\u00edculo em que atuou por mais de 60 anos, tendo feito hist\u00f3ria em programas da Record, Bandeirantes e SBT que lhe garantiram p\u00fablico cativo e o reconhecimento nacional.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n<p>Valorizou-se ainda mais por suas exposi\u00e7\u00f5es na <strong>Galeria de Arte Portal<\/strong>, que estava em seu auge, a tal ponto de ser a primeira a expor as obras de <strong>Picasso<\/strong> na Am\u00e9rica Latina, por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es de seus 90 anos.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/6NZcZwL9m1RorRXsePRzdchZxHmCufYzwrD9Ooa2LiUqMzlykUmRkuwYC0D0aSpyXTOP4z3s4WyacLEhcnSXokHXvwmjVq6bHhmQwvyAAdlF2qn3xzE6MVd7HIpACHBnTPFXPkzVS1ePD33TJTmPz360ljIoOocF1MKLS2gxgONqpmQ0BQLX788O-e7dXJVF\" width=\"494\" height=\"751.6552476891299\"><br \/><strong>Jornal Folha de S\u00e3o Paulo,<\/strong><strong>de 20\/11\/1971, p\u00e1g. 31<\/strong><\/td><td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/tYSOSansoNAFXvPdDXxaDdg3PHe5WWzk64HAJV1wDYSY06O_8XHyPes7LAGC0E5ViKGLr_X8ZW0pgjv8qsAOyKaaN2-PGtAgVTOlRtsdDD9F8QxdmGX4EDM6uSTDvt_CIZ2VCGga1DR-AyB3A-MwebDRlPzUdix9dY5OOeS4EeZoqG-Z7C8mtQcdzotcAMHd\" width=\"455.8501068066948\" height=\"324.08213233516926\"><br \/>Primeira exposi\u00e7\u00e3o de <strong>Cid Serra Negra<\/strong>, na <strong>Galeria Pontual<\/strong>, apresentado pela escritora <strong>Helena Silveira<\/strong><strong>Jornal Folha de S\u00e3o Paulo,<\/strong><strong><br \/><\/strong><strong>caderno Folha Ilustrada,<\/strong><strong><br \/><\/strong><strong>de 12\/06\/1969, p\u00e1g. 37<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>A import\u00e2ncia da <strong>Galeria Pontual<\/strong> em sua \u00e9poca pode ser mensurada pelo fato de conseguirem a primeira exposi\u00e7\u00e3o de obras de <strong>Picasso<\/strong> na Am\u00e9rica Latina, por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es de seu anivers\u00e1rio de 90 anos.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n<p>Pessoalmente, julgo como sendo seu trabalho mais significado, o conjunto da obra eternizada na <strong>Igreja de S\u00e3o Benedito<\/strong> (Serra Negra \/ SP), por sua ousadia e originalidade em retratar <strong>anjos negros<\/strong> e incluir <strong>um saci e uma crian\u00e7a ind\u00edgena como querubins<\/strong>.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/NTYbGpVDji4OogGjglcEwXVoc1KA6PYjN6QhMiuOGxGmbYm69c_oqKxFMEUuqUIdLqo9awjyB5x1ZY-fUT4rhhCH-8c5T93aor-Lqq9jvI_YnQvvEN-yPXCIKFIcoGo5HjSloKbNK2q5XN_kYivOiDH3QunevH6h4TKlQUOVlwU4f3EN_ADNE2YR2P9ZNPNR\" width=\"587\" height=\"237\"><\/td><\/tr><tr><td>Detalhes contendo saci e ind\u00edgena como querubins na obra de Cid Serra Negra para a Igreja de S\u00e3o Benedito.&nbsp;Fotomontagem ilustrando o artigo de Henrique Vieira Filho para o Jornal O Serrano<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n<p>Enfim, mesmo perante toda essa consagra\u00e7\u00e3o como artista, em caso de inexist\u00eancia de documentos atestando a autoria, isso gera inseguran\u00e7a para os compradores, obrigando os propriet\u00e1rios das obras a reduzir o valor monet\u00e1rio de venda.<\/p>\n\n\n<p>Este foi o caso da obra aqui citada, que adquiri como \u201cpechincha\u201d. Ao rastrear a trajet\u00f3ria desta pintura em particular, a encontrei em v\u00e1rios leil\u00f5es anteriores, sendo comercializada e adquirida por mais do triplo do que paguei.&nbsp;<\/p>\n\n\n<p>Se \u00e9 que algum dia existiu um <strong>Certificado de Autenticidade e\/ou de Propriedade<\/strong>, o mesmo se perdeu nas continuadas compras e vendas, algo muito comum no mercado das artes, em especial, tratando-se de esp\u00f3lios, com as fam\u00edlias jamais localizando o documento autenticador ou o recibo da aquisi\u00e7\u00e3o, que poderia, pelo menos, indicar uma boa proced\u00eancia.<\/p>\n\n\n<p>Para recuperar o pre\u00e7o m\u00e1ximo de mercado, a solu\u00e7\u00e3o foi <strong>autenticar a obra<\/strong>, por meio de <strong>Laudo Pericial<\/strong>, de tal forma que o investimento na <strong>Certifica\u00e7\u00e3o de Autenticidade <\/strong>mais do que duplicou o valor de revenda.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/WaPrsGZDgULYx3tSbtVQVsT6cc6JiV39lSvzSFi8GjU62kxZ35j555Yk2sWel3Awa33-J28c5O52WFY9qEpT9ymhjr2X4IFVvf-i_mu2dSTnLt761r1crygwJtBmf8qVE-VkXn-Ca403BojDuSDYO5kKsWv7oAzsrr2Ur8kNcSZOOv2QCrKumqnBRRJtN3YV\" width=\"286\" height=\"381\"><\/td><td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/mOtmgRx4gcevR76Vyr-FzWNUB8bPnG6JvZscl5Kr7e9ElE0qJqjft8h9l7_Va5A4FRom1txhbzKyajJbonta7_NunoSILRxFNEQwKxehtv-HG3nK4Xj3jVjC9bT6Om9dqIFsG6ahRDib12ZwYTk0u6v5lAQ-VFDVDuz-rfpcMmFenVhY9LAVaYwU4GkeVCtM\" width=\"286\" height=\"381\"><\/td><\/tr><tr><td>Vers\u00e3o f\u00edsica do <strong>Certificado de Autenticidade<\/strong> mediante<strong> Laudo Pericial<\/strong> (igual teor em vers\u00e3o digital com registros \u201cblockchain\u201d e DOI).<strong>Um investimento de R$ 350,00 que somou mais R$ 1.700,00 ao valor final de revenda \u00e0 obra.<\/strong><\/td><td><strong>Certificado de Autenticidade<\/strong> e <strong>Selo<\/strong> (fixado \u00e0 obra) com numera\u00e7\u00e3o exclusiva e QRCode que direciona ao <strong>registro internacional DOI<\/strong>, tamb\u00e9m redundante em cart\u00f3rio virtual (\u201cblockchain\u201d).<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n<p>Como perito, cabe aqui uma observa\u00e7\u00e3o quanto aos valores de honor\u00e1rios periciais (usualmente cerca de R$ 15.000,00). O custo aqui aplicado, praticamente simb\u00f3lico, se deve por j\u00e1 ser um \u201cconnoisseur\u201d das obras de Cid Serra Negra, ou seja, n\u00e3o foi preciso um estudo \u201cdo zero\u201d, envolvendo radiografia, colorimetria, espectroscopia, microscopia, nem demais recursos laboratoriais.&nbsp;<\/p>\n\n\n<p>O laudo pericial para autentica\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho para resgatar o valor nos casos de pintores j\u00e1 falecidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas obras, via de regra, sem documenta\u00e7\u00e3o de proced\u00eancia.<\/p>\n\n\n<p><strong>Para artistas vivos e em atividade, h\u00e1 caminhos bem mais simples.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n<p>Registrar em cart\u00f3rios ou na Belas Artes do Rio de Janeiro (op\u00e7\u00e3o prevista at\u00e9 em lei federal), na pr\u00e1tica, \u00e9 ineficaz, visto que uma eventual busca por parte dos interessados em localizar ou mesmo, conferir a documenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 custosa, tanto do ponto de vista financeiro, quanto de tempo demandado.<\/p>\n\n\n<p>Um dos problemas dos documentos de autenticidade serem apenas em vers\u00f5es f\u00edsicas \u00e9 a facilidade de extravio e o desgaste pelo passar do tempo, implicando em rasuras, trechos ileg\u00edveis e fragmenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o que adoto \u00e9 manter tamb\u00e9m em vers\u00e3o digital, utilizando o sistema \u201c<strong>blockchain<\/strong>\u201d (os chamados \u201ccart\u00f3rios virtuais\u201d) onde a documenta\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ceternizada\u201d na internet, com a garantia de diversas institui\u00e7\u00f5es mundiais que armazenam de forma redundante, de f\u00e1cil acesso (links diretos e buscadores) e resguardadas contra altera\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n<p>A este formato, ainda acrescento o registro <strong>DOI <\/strong>(<em>Digital Object Identifier<\/em>), aplicando \u00e0 cultura o mesmo padr\u00e3o mundial utilizado para respaldo e divulga\u00e7\u00e3o das produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, o que possibilita que conste, inclusive, no <strong>Curr\u00edculo Lattes e ORCID<\/strong>.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/_EhZwkc0BYGXBQ7lUE2EhcNCkug1RdISM9sCRe7Oy6tm4b4RqBJuv61JgtmZ9b73UdomRoUmF6jaGMAD-tXHSqP95TJ-_HbzOWS6-2Qcj1cWDY5IuYbUnTM79mHASrU80p9lsGWyg2B5OMNLby8xydkqWWuC5UtLJdxscWjzirvTZ33r7nWOQuqU97Oj0i4r\" width=\"286\" height=\"215\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/k0uN8DTzsY6agpyAMrx5M8B7H4_1fNrEtnfEhozx0Q6PWk4TAwlJHM3KT0ldeRy-xP4sAC475hoCFnlKeb9TKJG8KAvwNrkjDMqwN6AGmBx5ng96wowo1PCGOcO1a9-68d2jwUSdn1GFVDJZlYU89e80pzhISYE-c9c4X1CGZcNzt1LUsGMmOhDJfh0l81aS\" width=\"286\" height=\"215\"><\/td><td><br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/8NCEKkejcVj9k4D3ZAJROJ5xbgTx-m3PcZU83eVsubZpeSiZOH85WoAx8CvpR7XMrfbli4WpWQoEZmFX1UcVVfpIu6409NkJ83ZoPSCFLwCP14lcwI2txJkDUF57x3WZiYJw-o9eiP7kzxsXZIdbb-8CPu63pNbkclk1YfDG9bXc4XN32Kg3Kkdo65kxlx30\" width=\"286\" height=\"401\"><\/td><\/tr><tr><td><strong>Certificado de Autenticidade<\/strong>&nbsp;Assinado pelo pr\u00f3prio artista.<strong><br \/><\/strong><strong>Selo de Autenticidade<\/strong>Fixado na obra, com numera\u00e7\u00e3o id\u00eantica e exclusiva \u00e0 do Certificado<br \/>Confeccionados e registrados via <a href=\"https:\/\/sociedadedasartes.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Sociedade Das Artes<\/strong><\/a><br \/><strong>Um investimento de R$ 80,00 para resguardar direitos autorais ao artista e de propriedade aos compradores, valorizando a Arte.<\/strong><\/td><td><strong>Vers\u00e3o digital, igualmente v\u00e1lida, do Certificado de Autenticidade<\/strong> confeccionado e registrado via <a href=\"https:\/\/sociedadedasartes.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Sociedade Das Artes<\/strong><\/a>.<br \/>Acess\u00edvel via QRCode e links diretos para os <strong>registros internacionais DOI<\/strong> (valid\u00e1veis como obras culturais para Curr\u00edculo Lattes e ORCID) e tamb\u00e9m para o cart\u00f3rio virtual (\u201c<strong>blockchain<\/strong>\u201d), mantidos por institui\u00e7\u00f5es mundiais compromissadas com a manuten\u00e7\u00e3o e disponibiliza\u00e7\u00e3o atemporal dos documentos.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n<p>At\u00e9 mesmo os famosos \u201c<strong>Cat\u00e1logos Raisonn\u00e9s<\/strong>\u201d (verdadeiros tratados contendo registros visuais e documentais de cada obra do artista,) antes privil\u00e9gio de poucos, est\u00e1 agora acess\u00edvel ao grande p\u00fablico, em vers\u00f5es virtuais, promovidos em parceria entre a <a href=\"https:\/\/sociedadedasartes.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Sociedade Das Artes<\/strong><\/a> e a <a href=\"https:\/\/artivismo.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Revista Artivismo<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n<p>Se antes os artistas faziam justi\u00e7a ao estere\u00f3tipo de n\u00e3o se importarem com registros burocr\u00e1ticos, nem com as finan\u00e7as e de serem avessos a novas tecnologias, em pleno s\u00e9culo 21, esse vis\u00e3o \u201cromantizada\u201d n\u00e3o tem mais sentido e, quanto antes os contempor\u00e2neos <strong>Certificarem<\/strong> suas obras, os apreciadores e a pr\u00f3pria Arte, agradecem.<\/p>\n\n\n<p>S\u00f3 quem n\u00e3o ir\u00e1 gostar s\u00e3o os fals\u00e1rios!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os artistas com obras de valores intermedi\u00e1rios s\u00e3o t\u00e3o ou mais v\u00edtimas de falsifica\u00e7\u00f5es quanto os de renome mundial. Neste artigo, Henrique Vieira Filho toma como exemplo as obras de Cid Serra Negra e como os modernos e acess\u00edveis recursos de Certificados de Autenticidade e Pericial resguardam direitos  autorais e de propriedade resgatam o leg\u00edtimo valor de mercado.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3108,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_sitemap_exclude":false,"_sitemap_priority":"","_sitemap_frequency":"","_daextrevo_audio_file_creation_date":"","_daextrevo_text_to_speech":"","_daextrevo_document_type":"","footnotes":""},"categories":[28,11,127,13,4,133],"tags":[5,128,129,130,131,132],"tnc_tax_6799":[],"tnc_tax_6188":[],"class_list":["post-3108","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artes-visuais","category-artigos","category-artigos-para-a-revista-artivismo","category-artigos-de-fabiana-vieira","category-jornal-o-serrano","category-obras-de-arte","tag-arte","tag-autenticidade","tag-certificado","tag-direitos","tag-falsicacao","tag-pericia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3108\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3108"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3108"},{"taxonomy":"tnc_tax_6799","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_tax_6799?post=3108"},{"taxonomy":"tnc_tax_6188","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_tax_6188?post=3108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}