{"id":4797,"date":"2025-03-02T08:10:22","date_gmt":"2025-03-02T11:10:22","guid":{"rendered":"https:\/\/henriquevieirafilho.com.br\/?p=4797"},"modified":"2025-03-02T08:10:22","modified_gmt":"2025-03-02T11:10:22","slug":"o-circuito-dos-pedagios-um-tributo-a-nabucodonosor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/o-circuito-dos-pedagios-um-tributo-a-nabucodonosor\/","title":{"rendered":"O Circuito dos Ped\u00e1gios: Um Tributo a Nabucodonosor"},"content":{"rendered":"\n<p>Esta sarc\u00e1stica cr\u00f4nica de <strong>Henrique Vieira Filho<\/strong> tra\u00e7a um paralelo ir\u00f4nico entre os ped\u00e1gios modernos e sua origem na Babil\u00f4nia de Nabucodonosor, passando pela Idade M\u00e9dia, o Brasil colonial e at\u00e9 mesmo figuras lend\u00e1rias como Robin Hood. <br>Com humor \u00e1cido, o texto critica a prolifera\u00e7\u00e3o de ped\u00e1gios no Circuito das \u00c1guas Paulista, onde visitar cidades vizinhas corre o risco de virar uma experi\u00eancia paga.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado resumido no Jornal O SERRANO, N\u00ba 6443 de 07\/03\/2025<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Ah, o ped\u00e1gio! Essa institui\u00e7\u00e3o milenar que nos acompanha desde os tempos em que a Babil\u00f4nia era o centro do universo conhecido. H\u00e1 mais de quatro mil\u00eanios, os babil\u00f4nios, com sua vis\u00e3o de neg\u00f3cios \u00e0 frente de seu tempo, j\u00e1 haviam percebido que cobrar uma taxinha para quem quisesse usar suas estradas era uma excelente forma de encher os cofres reais. Afinal, quem ousaria discordar do rei Nabucodonosor quando ele exigisse uns trocados para deixar voc\u00ea passar com sua caravana de especiarias?<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o pense que a ideia se perdeu no tempo! Na Idade M\u00e9dia, os senhores feudais, sempre sedentos por mais ouro, logo perceberam que podiam fazer o mesmo. Cobravam ped\u00e1gio para cruzar pontes, estradas e at\u00e9 mesmo para entrar em suas terras. Era uma festa para os coletores de impostos e um pesadelo para os viajantes.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil do s\u00e9culo XVIII, a Rota dos Tropeiros (coincidente, em parte, com a atual Rodovia R\u00e9gis Bittencourt) era um verdadeiro festival de ped\u00e1gios. Os tropeiros, coitados, deviam carregar um mapa com todos os postos de cobran\u00e7a para n\u00e3o serem pegos de surpresa! H\u00e1 quem diga que era para uma boa causa: a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, ap\u00f3s o terremoto de 1755. Bom, ao menos tinham uma justificativa elegante.<\/p>\n\n\n\n<p>Na fic\u00e7\u00e3o, Robin Hood \u201ccobrava\u201d dos ricos que passavam pela floresta para dar aos pobres. Na vida real, conheci algo similar aplicado em uma passarela para pedestres sobre a Via Dutra: tamb\u00e9m eram foras-da-lei, s\u00f3 que tiravam dos pobres e davam para si mesmos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>E agora, meus amigos, chegamos ao \u00e1pice da tragicom\u00e9dia: no Circuito das \u00c1guas Paulista, os governantes, em sua infinita sabedoria, decidiram que a melhor forma de unir as cidades \u00e9&#8230; cobrando ped\u00e1gio entre elas! Afinal, nada como pagar para visitar o vizinho, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>Imagina s\u00f3: voc\u00ea quer tomar um caf\u00e9 em Serra Negra, mas antes precisa passar por um ped\u00e1gio. Quer dar um pulinho em \u00c1guas de Lind\u00f3ia para relaxar nas termas? Prepare o bolso! \u00c9 ped\u00e1gio na certa. E assim, vamos transformando o Circuito das \u00c1guas em um verdadeiro &#8220;Circuito dos Ped\u00e1gios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizem que viajar abre a mente, mas com esse tanto de ped\u00e1gio, o \u00fanico que se abre mesmo \u00e9 o porta-luvas \u2013 para procurar as moedas que sobraram do \u00faltimo troco\u2026<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXe9UD2hCVFbqeICaIf1ULCrNXwhB2b20U1g7j5lbDEMyTpm5Fx_FcnJg0_fPx5VoVmJVPTYVbJnhNmNC8-sVTCg25njsw5pF6Xofegds4unsAZwmv7V-MXZtSVcZ8AIzWeMn6k9YPzI_7hgSUkElus?key=9NOSCy2MAMPVkgRA0OC4mPqe\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Arte: 4000 Anos de Ped\u00e1gios &#8211; Ilustra\u00e7\u00e3o: Henrique Vieira Filho<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta sarc\u00e1stica cr\u00f4nica de Henrique Vieira Filho tra\u00e7a um paralelo ir\u00f4nico entre os ped\u00e1gios modernos e sua origem na Babil\u00f4nia de Nabucodonosor, passando pela Idade M\u00e9dia, o Brasil colonial e at\u00e9 mesmo figuras lend\u00e1rias como Robin Hood.<br \/>\nCom humor \u00e1cido, o texto critica a prolifera\u00e7\u00e3o de ped\u00e1gios no Circuito das \u00c1guas Paulista, onde visitar cidades vizinhas corre o risco de virar uma experi\u00eancia paga.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4797,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_sitemap_exclude":false,"_sitemap_priority":"","_sitemap_frequency":"","_daextrevo_audio_file_creation_date":"","_daextrevo_text_to_speech":"","_daextrevo_document_type":"","footnotes":""},"categories":[198,199,4],"tags":[200,15,201,202,203,204,205,206,20,207,208],"tnc_tax_6799":[],"tnc_tax_6188":[],"class_list":["post-4797","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-e-noticias","category-artigos-publicados","category-jornal-o-serrano","tag-circuito-das-aguas-2","tag-cronica-2","tag-hentique-vieira-filho","tag-historia-dos-pedagios","tag-humor","tag-ironia","tag-nabucodonosor","tag-pedagio","tag-serra-negra","tag-taxas-rodoviaria","tag-viagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4797","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4797"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4797\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4797"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4797"},{"taxonomy":"tnc_tax_6799","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_tax_6799?post=4797"},{"taxonomy":"tnc_tax_6188","embeddable":true,"href":"https:\/\/rearte.com.br\/museu\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_tax_6188?post=4797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}