Este mês, tivemos a Semana da Pátria e bem me lembro que era uma ocasião bem mais festiva nos meus tempos de criança.
Tanto que, pelos anos 70, era realizado um concurso nacional para celebrar e o desafio era criar um novo desenho-símbolo para a ocasião.
Eu observava os concursos dos anos anteriores e notava um padrão: desenhos infantis com motivos como pião e catavento, sempre nas cores verde e amarelo, eram frequentemente selecionados. Pensei: “Como posso inovar, mas ainda assim manter essa essência pátria e infantil?”
Com a mente fervilhando, decidi aplicar uma projeção lógica para o futuro. Em vez de algo estático, pensei em movimento, em algo que remetesse à liberdade e à nação.
Foi aí que surgiu a ideia: um aviãozinho de papel, também nas tradicionais cores verde e amarelo. Imaginei a simplicidade e o apelo universal desse símbolo e com esse projeto, me inscrevi na competição.
O tempo passou, e eu, estava de férias com minha família, aqui em Serra Negra, e lutava com um sinal de TV precário: o telejornal iria anunciar o vencedor e nada de conseguir sintonizar o canal!
De repente, em meio a chiados, imagens em preto e branco falhando e sem áudio, meu coração disparou ao ver na tela de tubo o desenho que eu havia criado: o aviãozinho de papel! A alegria foi imensa!
Mas, a euforia logo deu lugar ao choque: no jornal impresso do dia seguinte, ao ler os detalhes do concurso, descobri que o desenho vencedor era idêntico ao meu, mas creditado a outra criança!
Como isso era possível? A busca por respostas me levou a uma descoberta ainda mais frustrante: meu desenho, que eu considerava tão forte, havia sido desconsiderado nas etapas regionais…
A conclusão amarga foi que, apesar da ideia ser boa — tão boa que outros chegaram a pensar de forma semelhante —, a avaliação do júri foi falha. Apenas um dos concorrentes, com uma sorte melhor, teve seu trabalho reconhecido por “jurados melhores entendedores”.
Para ilustrar essa história, guardo comigo a imagem do selo dos Correios que celebrou essa vitória em 1978, estampado com o meu — e não meu — aviãozinho.
Mesmo quando criamos algo com a alma, com a visão clara do que queremos transmitir, o sucesso nem sempre é imediato ou direto. A gente planta a semente, mas a mão que a cultiva, pode não ser a nossa. E tudo bem.
A verdade é que o valor de uma ideia não reside apenas em quem a cria, mas em quanto ela consegue voar, inspirar e tocar outras pessoas. A essência permanece, mesmo que a autoria se perca no trajeto.
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.