Exposição: Do Livro Ao Museu – Em Serra Negra
Curadoria: Henrique Vieira Filho
Na exposição “Do Livro Ao Museu – Em Serra Negra”, as obras não estão apenas dispostas; elas dialogam em uma rede de significados.
A curadoria do Museu ReArte propõe uma intersecção física e psíquica entre os recortes de Matisse, o realismo de Portinari, a luz de Salgado, o “lado artista” de Jung e a arte autoral de Henrique Vieira Filho.
O objetivo é demonstrar que a arte não nasce do vazio, mas emerge do Inconsciente Coletivo, manifestando-se através de arquétipos que cada artista traduz em seu estilo próprio.
Ao caminhar por esta exposição, o visitante percebe que a cor de Matisse, a dor de Portinari, a luz de Salgado e o ‘Livro Vermelho’ de Jung encontram-se nas matrizes de Henrique Vieira Filho.
Tudo aqui é ReArte: a reprodução constante da alma humana através dos tempos e das formas.
Os Eixos do Diálogo:
- A Matriz Humana e a Transposição:
Henrique Vieira Filho, com sua experiência de 35 anos como psicoterapeuta, apresenta a série “Diversidade”.
Seu processo criativo revela a “alma ancestral” do brasileiro: modelos de diversas etnias recebem projeções de grafismos culturais em seus corpos (matrizes vivas), que são fotografados e, posteriormente, transpostos para telas a óleo e acrílico. É a materialização do invisível.
- O Sagrado e a Terra:
O diálogo se estende a Sebastião Salgado. Aqui, celebramos não apenas sua fotografia humanista em preto e branco, mas sua faceta de “curador do ecossistema”.
‘ Seu trabalho de reflorestamento com o Instituto Terra espelha o esforço de Henrique Vieira Filho em reflorestar a identidade cultural e a memória em sua prática clínica e artística.
- A Linguagem da Alma:
As obras de Carl Jung e seu enigmático “Livro Vermelho” revelam o Jung artista, compreendemos a arte como Imaginação Ativa — um método de cura onde as palavras silenciamos e as imagens falam.
Para esta mostra, optou-se pelo desmembramento técnico de um exemplar de ‘O Livro Vermelho‘, permitindo a fruição individualizada dos fólios e revelando a jornada visual de Jung que, de outra forma, permaneceria oculta entre as páginas.
- O Vazio e a Resistência:
Em um gesto de vigilância museológica, utilizamos réplicas das gravuras de Matisse e Portinari, roubadas da Biblioteca Mário de Andrade em 2025.
A ausência física dos originais torna-se um símbolo da fragilidade do nosso patrimônio, convidando o visitante a refletir sobre o que escolhemos preservar.
Ao caminhar por esta mostra, percebe-se que a cor, a forma, o grafismo e a fotografia são, na verdade, diferentes dialetos de uma mesma língua: a linguagem da alma humana que se reproduz e se ReArte infinitamente.
1. Sebastião Salgado: A Luz e a Terra (Livros de Arte Fotográfica)
- A Obra: Conhecido mundialmente por sua fotografia documental em preto e branco que revela a dignidade humana em condições extremas e a majestade da natureza.
- O Lado Ativista: Além da lente, Salgado é um “curador da Terra”. Através do Instituto Terra, liderou o reflorestamento de áreas degradadas, provando que a arte de observar o mundo caminha junto com a responsabilidade de regenerá-lo. Na exposição, seus livros representam a conexão entre o homem e o ecossistema.
2. Carl Jung: O Artista Secreto e o “Livro Vermelho”
- A Obra: Revela a faceta menos conhecida do pai da Psicologia Analítica. Jung utilizava a pintura e a caligrafia artística como método de Imaginação Ativa, dando forma visual aos conteúdos do inconsciente.
- O Livro Vermelho: Um diário de visões onde palavras e imagens se fundem. É o testemunho de que a arte é a linguagem por excelência para expressar o que a teoria não alcança.
3. Henrique Vieira Filho: Diversidade e a Pele como Tela
- Processo Criativo (Matrizes Vivas): O artista utiliza uma técnica única: fotografa pessoas reais com pinturas corporais de grafismos ancestrais. Estas fotos servem como “matrizes” para a criação de pinturas em tela (óleo e acrílico).
- Obras em Exposição: As fotografias e telas dialogam sobre a miscigenação brasileira. A projeção dos grafismos sobre a pele simboliza as marcas culturais e psíquicas que herdamos.
- Conexão Psicoterapêutica: Com 35 anos de clínica, Vieira Filho demonstra que a transposição da imagem do corpo para a tela é um ato de materialização do Inconsciente Coletivo, unindo a ancestralidade ao estilo contemporâneo.
Observe como o grafismo ancestral projetado na obra de Henrique Vieira Filho ecoa as formas orgânicas dos recortes de Matisse, das artes de Portinari e de Jung. Estilos diferentes, o mesmo arquétipo de movimento e ritmo vindos do Inconsciente Coletivo.
4. Cândido Portinari (Série Menino de Engenho, 1959)
Estas obras, inspiradas no universo de José Lins do Rego, dialogam com a fotografia humanista de Salgado e o inconsciente coletivo através de figuras arquetípicas do Brasil.
- Homem a Cavalo com Menino na Garupa: Representa a transmissão de cultura e a hierarquia da vida no campo. O cavalo surge como o arquétipo do movimento e da força, carregando o futuro (o menino) sob a guarda do passado (o homem).
- Retirantes: Uma das imagens mais viscerais de Portinari. Dialoga diretamente com a “Mulher Morta” e com o trabalho de Salgado, expondo a fragilidade humana diante da seca e do abandono, e a resiliência arquetípica do povo que caminha em busca de sobrevivência.
- Homens e Meninos no Curral: Retrata o cotidiano do trabalho braçal e a introdução precoce da criança no universo produtivo. A proximidade física dos corpos e dos animais no curral simboliza a simbiose entre o homem e a terra.
- Queimada no Canavial: O fogo como símbolo de destruição social e o rigor do ciclo econômico do açúcar.
- Mulher Morta: A tragédia da finitude e a precariedade da vida nos engenhos.
- Mestiço Preso em Tronco: A denúncia histórica das marcas da escravidão na formação da identidade brasileira.
5. Henri Matisse (Série Jazz, 1947)
A “improvisação” de Matisse encontra eco na Imaginação Ativa de Jung e no ritmo visual dos grafismos de Henrique Vieira Filho.
- O Circo: A celebração do espetáculo e da vitalidade da cor.
- Os Codomas: Representa o equilíbrio e o risco dos trapezistas em pleno voo.
- O Cowboy: A energia indomável e o arquétipo da aventura.
- O Pesadelo do Elefante Branco: A representação visual do medo e da vulnerabilidade psíquica.
- O Nadador no Aquário: O corpo orgânico em harmonia com o espaço fluido.
- O Engolidor de Espadas: A disciplina necessária para converter o perigo em beleza estética.
| RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: Homem a Cavalo com Menino na Garupa Artista: Cândido Portinari Nota: Reprodução fiel. O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: Retirantes Artista: Cândido Portinari Nota: Reprodução fiel. O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: Homens e Meninos no Curral Artista: Cândido Portinari Nota: Reprodução fiel. O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
| RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: Queimada no Canavial Artista: Cândido Portinari Nota: Reprodução fiel. O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: Mulher Morta Artista: Cândido Portinari Nota: Reprodução fiel. O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: Mestiço Preso em Tronco Artista: Cândido Portinari Nota: Reprodução fiel. O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
| RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: The Circus (Le Cirque) Artista: Henri Matisse Nota: Reprodução fiel (Fac-símile). O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: The Codomas (Les Codomas) Artista: Henri Matisse Nota: Reprodução fiel (Fac-símile). O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: The Cowboy (Le Cowboy) Artista: Henri Matisse Nota: Reprodução fiel (Fac-símile). O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
| RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: The Nightmare of the White Elephant (Le Cauchemar de l’Éléphant Blanc) Artista: Henri Matisse Nota: Reprodução fiel (Fac-símile). O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: The Swimmer in the Tank (Le Le Nageur dans l’Aquarium) Artista: Henri Matisse Nota: Reprodução fiel (Fac-símile). O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
RÉPLICA DE EXPOSIÇÃO Obra: The Sword Swallower (L’Avaleur de Sabres) Artista: Henri Matisse Nota: Reprodução fiel (Fac-símile). O exemplar original foi roubado da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025. |
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.