O calendário insiste que estamos na reta final do ano, mas a nossa contabilidade aqui na Residência Artística é medida em feitos, não em dias.
Recém celebramos a memória do meu tio Ary Vieira, o combatente da FEB que, em vez de se perder na barbárie da guerra, preferiu se concentrar em seu talento de desenhista de nanquim.
Ele nos ensinou que a arte é a paz em pessoa. E o destino, em seu humor peculiar, fez com que essa arte fosse formalmente reconhecida agora: o Ministério da Cultura, por meio do IBRAM, finalmente bateu o carimbo: somos o MUSEU DA RE ARTE – RESIDÊNCIA ARTÍSTICA DO CIRCUITO DAS ÁGUAS! Um certificado de peso, ao lado do reconhecimento como Ponto de Cultura estadual.
Isso prova que, mesmo com verba que, sejamos francos, é modesta e que temos que buscar vencendo o “vestibular” de editais como a Lei Aldir Blanc e o PROAC, o amor à ARTE é o nosso maior lastro.
Mas, insisto: o museu não é a placa. O Museu é a vida que pulsa dentro.
No domingo passado, o evento “Memória em Movimento” provou isso. A Pré-Abertura foi a celebração do processo. O acervo de guerra do Ary trouxe mais do que apenas medalhas; trouxe a beleza que sobreviveu: a coleção de cartões postais europeus.
Em seguida, a história local saltou do papel: a peça “Esconde o Conde” (baseada na pesquisa de Nestor Leme) virou uma festa com a interpretação de Ayumi Marchi. E a Cia. Allegro, com o talento contagiante de Dayana, Carol e Gabriel, deu vida e movimento às músicas que criamos especialmente para homenagear nossa cidade.
O irônico é que estas músicas estão em todas as plataformas de streaming do mundo, mas, ironicamente, nunca tocou na rádio de Serra Negra. É o patrimônio local fazendo o caminho mais longo para ser ouvido em casa…
E é aqui que o Patrimônio Imaterial encontra sua utilidade no dia a dia. Para que serve toda essa mobilização? Serve para a inclusão. Pego o exemplo do projeto “Serra Negra no Cinema”. Nós não apenas cumprimos as metas de sessões de cinema itinerante; nós extrapolamos os objetivos, levando o folclore para comunidades rurais e urbanas que a cultura tradicionalmente esquece.
Mais crucialmente, quebramos a barreira da invisibilidade: nossos documentários, como o da Iara Guardiã de Nossas Águas, circularam com recursos de Audiodescrição (AD) e Libras, garantindo que pessoas com deficiência visual ou auditiva pudessem participar, entender e se emocionar. A cultura, quando viva, é um agente de transformação social.
O legado não é o certificado do IBRAM, mas o sorriso de quem pôde “ver” a Iara pela primeira vez graças ao AD, ou o morador da zona rural que se viu no cinema. É a prova de que a nossa maior riqueza não está no lastro financeiro, mas na ousadia de transformar história em Arte em Toda Parte.
O Museu ReArte está agora em seu Período de Visitas Experimentais. Se você perdeu a festa de abertura, venha ver de perto como a memória se transforma em ação e não se perde no passado: ela acontece no aqui e agora.Para conhecer o Museu ReArte e saber mais sobre as Visitas Experimentais, chame pelo Whatsapp: (11) 98294-6468.
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.