Os 100 Anos Do Serrano Ary Vieira
Artista: Henrique Vieira Filho
Técnica Mista – 80 x 60 cm
Artigo publicado originalmente no Jornal O Serrano, em 22 de outubro de 2021 – 6277 – CXIII
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.5748123
Daqui a poucos dias, um ilustre serrano faria 100 anos: Ary Vieira.
Na verdade, faltou pouco: faleceu em 2017, uma semana antes de receber mais uma justa homenagem, com direito à Banda Lira (ele adorava…), por ter sido um dos combatentes da Força Expedicionária Brasileira.
Foi filho de Durvalino Vieira de Moraes, agora também eternizado em Serra Negra, com a recente inauguração da placa que inclui seu nome, em honra à Revolução Constitucionalista de 1932.
Meu tio Ary merece ser lembrado mais do que pela espada, e sim, pela caneta: era um desenhista de mão cheia, com belas obras feitas com precisão de bico de pena, em nanquim.
Gosto de pensar que foi dele que herdei o amor pelas artes plásticas, por isso, mesclei os traços dele com os meus, nesta pintura que foi baseada em uma antiga foto em que estão em sua mesa no Serra Negra Esporte Clube, que sempre frequentaram, por estar a poucos passos de onde ele morava com a minha prima Vera e minha tia Arthema.
Inúmeras medalhas e honrarias ele ganhou como guerreiro… Penso que ele deveria ter recebido outras mais, só que por outro motivo: ser uma pessoa feliz e em paz, APESAR da guerra!
As lembranças que tenho são dele sentado no banco da Praça João Zelante, de braços cruzados, vendo a banda passar (literalmente…), ao lado de sua esposa e filha, tricotando lãs e prosas.
As memórias que guardo mostram um homem que se divertia no carnaval serrano, criava suas próprias fantasias, vestindo camisetas com os dizeres da marcha “A Maré Tá Cheia”, que compôs com seus amigos (um plágio! tsc, tsc…).
Quando criança, eu o observava criando tracejados e sombreados, com lápis e tinta, até os desenhos formarem paisagens e animais, com uma paciência que parecia infinita, tamanha era a lentidão que o processo criativo exigia.
O desenhista Ary era o contraponto perfeito a compensar o seu lado soldado!
Vai ver, meu tio foi o precursor do “Slow Movement” (Movimento Sem Pressa), tão em moda atualmente, onde o que se busca é aproveitar melhor a vida, sem a ansiedade dos grandes centros urbanos, que tem conduzido à migração de volta ao campo, para melhorar a qualidade de vida. O que, por sinal, foi o que fiz já faz 03 anos, mudando de volta para as minhas raízes serranas!
A humanidade, desde sempre, cultua o heroísmo, erguendo estátuas e monumentos aos grandes guerreiros e isso é natural.
Igual honraria deve ser reservado à chamada “vida cotidiana”, onde cada um de nós vence as suas batalhas diárias e desfruta do que realmente importa: amor, amizade, saúde, trabalho e… diversão!
Uma das coisas que, secretamente, fazia o Ary rir, é que TODAS as medalhas, placas, diplomas em sua honra estão com seu nome… ERRADO!
Ele nunca foi Ary CAREI Vieira! Este sobrenome ele “emprestou” do ator americano Harry Carey Jr!
Nascido no mesmo ano que meu tio, em 1921, ganhou fama mundial com seus mais de 90 filmes de “faroeste” e o Ary brincava com a semelhança sonora entre seus nomes.
E é assim que escolho lembrar dele, neste seu centenário: um homem que prefere não perder a piada, por nada deste mundo!
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Cite as
HENRIQUE VIEIRA FILHO. (2021). Os 100 Anos Do Serrano Ary Vieira. O Serrano, CXIII(6277). https://doi.org/10.5281/zenodo.5748123
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.