Sempre tive problemas com datas. Lembro das profissionais com precisão cirúrgica e esqueço as pessoais com a inocência de um iniciante. Na verdade, não é bem um esquecimento: é que não percebo o passar do tempo! Como eu trabalho todos os dias, parece que tanto faz ser segunda-feira ou domingo, se é março ou se é dezembro.
E eis que, como de (mal) costume, agendei de participar de um importante Festival de Café, sem me dar conta que a data coincidia com o aniversário de casamento! E olha que, de casamento eu entendo: afinal, este é meu terceiro!
Minha esposa, é claro, ficou “de bode” (gíria do meu tempo para muito aborrecida). E, para não correr o risco de ter um quarto casório na lista de “projetos executados”, desmarquei o trabalho. Prioridades, não é?
Mas, não só Freud, como também a etimologia explica muitas coisas que sustentam esse drama conjugal. As palavras, às vezes, carregam um peso histórico que desmotiva qualquer apaixonado:
- Matrimônio vem do latim MATER (Mãe) e MŌNIUM (estado, dever), ou seja, o “o dever de ser mãe”. Enquanto isso, o Patrimônio (o dever do pai) sempre foi tão voltado ao aquisitivo que virou sinônimo de acumulação de bens. A sociedade patriarcal está aí, escrita nas palavras.
- E a expressão “contrair matrimônio”, então? Não é exatamente um verbo associado a coisas boas… Você contrai doença, contrai vírus, contrai dívida e… casamento!
Tudo isso, no fundo, desmotiva os românticos. Felizmente, algumas palavras têm origens mais otimistas:
- Núpcias, vem de nuberi (cobrir, velar), referindo-se ao véu da noiva. Ou, pensando melhor, ao momento de “desvendar” a beleza da cônjuge (que, coitada, vem do latim “com” – junto e “jugo” – canga… ops!).
Para reforçar os significados positivos, há o termo “bodas”, que em sua origem latina, “votas”, nos traz aos votos de amor eterno. Votos que, por tradição, são renováveis e comemorados ano a ano.
Na era medieval, só se festejava bodas de prata (25 anos) e de ouro (50 anos), pois, afinal, só chegar à velhice já era um milagre. Modernamente, (aposto que foram os marketeiros para poder vender presentes!), os livros de etiqueta passaram a associar cada ano a um material que simboliza a firmeza da relação: Papel, Algodão, Trigo, Flores e Frutas… uma escadaria de resiliência.
No meu momento atual, estou com 11 anos: Bodas de Aço, simbolizando maior resistência e flexibilidade. O material é forte, mas ainda pode ser flexível. Ufa! Ainda bem que consegui liberar a data para celebrar. Porque se eu tivesse ido para o Festival de Café, com o histórico de esquecimento e a etimologia contra mim, o amor da minha vida iria ficar mais do que “de bode”: ela ficaria… “bodaço”!
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.