A vida, vez ou outra, nos prega peças com lições inusitadas. E se o Dia do Desafio do Morro do Cristo (03 de agosto/ Largada: 8h – em frente à Fontana di Trevi) se aproxima, que tal eu lhes contar um “causo” de adolescência que, para mim, resume bem o espírito de superação e, quem sabe, um toque de milagre serrano?
Lá se vão anos, em plena São Paulo, eu e meu amigo Edvan éramos figuras carimbadas no Parque do Piqueri. Nossa rotina? Correr. E por ironia do destino, Edvan, que sofria com bronquite, usava o esporte como um de seus antídotos.
Mesmo com a doença, ele me vencia nas pistas planas, e, claro, fazia questão de contar vantagem…
Meu trunfo na manga? “Quero ver fazer isso na subida do morro do Cristo, em Serra Negra!”, eu retrucava, já prevendo a inversão do jogo.
E não é que o universo conspirou? Em férias, viemos para cá, para a tranquilidade do Circuito Das Águas. E, nada de “apelar” para o teleférico: decidimos pela aventura “raiz”! Queríamos ir pelo caminho “mais curto”, que, na verdade, era sinônimo de “mais íngreme e mato adentro”. E aí, meus amigos, a profecia se cumpriu!
Minha “genética” de serrano, forjada nos “alpes” daqui, se revelou. Aquela subida no mato era meu território, e eu, que apanhava nas pistas poluídas da capital, senti o fôlego vir, o corpo responder. Não resisti: comecei a tripudiar, subindo de costas, “dando uma chance” ao meu amigo paulistano. Pobre Edvan! Ele foi à lona! Passou mal, sangrou pelo nariz de tanto esforço, enquanto eu, em minha altivez serrana, respirava como se estivesse em um passeio no parque.
Exaustos, mas com a missão cumprida, voltamos para a casa do meu tio Ari, pertinho do Serra Negra Esporte Clube. Apagamos, cada um no seu canto, vencidos pelo cansaço. A surpresa veio no dia seguinte, ao acordar. Edvan estava radiante: “Henrique, eu estou respirando muito bem! Melhor do que nunca!”. E, pasmem, a história não para por aí. Anos e anos se passaram, e meu amigo nunca mais teve um ataque de bronquite!
Quem diria! Aquela subida sofrida no Morro do Fonseca, coroada pelo Cristo Redentor lá no alto, talvez tenha sido mais do que um desafio físico.
Quem sabe, por ter um Cristo acima, até o Fonseca virou milagreiro! A ciência que nos perdoe, mas para nós, foi pura magia serrana.
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.